Escrever as despesas uma a uma é a parte de um orçamento que mais pessoas abandona. Não por ser difícil, mas por ser repetitivo, e por o banco já ter a lista toda, certinha, num PDF que se descarrega em dois toques. A pergunta natural é: porque não usar essa lista?
A resposta habitual das apps de finanças é ligar-se ao banco, ou pedir que se envie o extrato para os servidores delas, onde é lido. As duas funcionam, e as duas têm um custo que nem toda a gente quer pagar: entregar o histórico completo das tuas compras a uma empresa que não é o teu banco.
A Mayora faz de outra maneira. Este texto explica qual, o que acontece a cada movimento quando se importa o extrato, e o que fica de fora.
Como funciona importar o extrato bancário na Mayora?
Escolhes o banco, escolhes o PDF, e o telemóvel lê-o.
Em Importar movimentos, escolhes "Extrato do banco" e depois o banco. Por agora a Mayora lê extratos da conta à ordem do Santander e do Novo Banco, e os outros bancos aparecem na lista como ainda não disponíveis. Escolhes o PDF que descarregaste do homebanking, e a leitura acontece ali, no teu dispositivo.
O que precisa da rede é o leitor de PDF, que se descarrega na primeira vez como qualquer outra parte da app. O extrato não vai junto: é o leitor que vem ter com o ficheiro, e não o ficheiro que vai ter com um leitor.
Um pormenor que poupa frustração: o PDF tem de ser o que o banco gera, com texto. Uma digitalização em papel, ou uma fotografia do extrato, não tem texto para ler, e a app diz-te isso em vez de inventar movimentos.
O extrato bancário é enviado para algum servidor?
Não. Nem para o nosso.
O ficheiro é aberto, lido e esquecido no próprio telemóvel. O que a app tira dele é uma lista de movimentos: data, descritivo, valor. Essa lista aparece-te para reveres, e nada é guardado até confirmares.
Quando confirmas, o que fica guardado são os movimentos que escolheste importar, exactamente como se os tivesses escrito à mão: uma despesa com data, valor, categoria e quem pagou. O PDF não fica em lado nenhum, nem o resto do extrato: saldos, número de conta, os movimentos que decidiste não importar.
Isto importa mais num orçamento partilhado do que parece. O extrato de uma pessoa diz muito mais do que as despesas da casa, e a casa só precisa de ver as despesas da casa.

Como é que a Mayora confere a importação do extrato?
Porque confere as contas com o saldo do próprio extrato, antes de te mostrar seja o que for.
Um extrato traz o saldo inicial, o saldo final e o saldo depois de cada movimento. A app soma os movimentos que leu e verifica se batem certo com esses saldos. Se batem, diz-to: "contas certas, tantos movimentos batem com o saldo do banco". Se não batem, não te deixa importar assim.
Parece excesso de zelo e é o contrário. Um leitor de PDF que se engana numa linha produz um mês errado em silêncio, e um mês errado é pior do que um mês por escrever, porque se confia nele. A verificação pelo saldo é o que garante que o que entra é o que está no banco, nem mais nem menos.
O que acontece a cada movimento ao importar o extrato?
Chega com uma proposta, e com a razão da proposta.
Cada linha do extrato chega classificada, e a app diz-te porquê. Os casos que mais se repetem:
| O movimento | O que a app propõe |
|---|---|
| Uma compra numa loja | Despesa, numa categoria |
| O débito de uma conta fixa que reconhece | Marcar essa conta como paga, e não criar despesa nova |
| O salário | Conferir com o rendimento que declaraste, e não somar outra vez |
| Uma transferência para um objectivo de poupança | Reforço desse objectivo |
| Uma transferência entre contas tuas | Ignorar, porque o dinheiro não saiu de casa |
| Uma linha que já tinhas lançado à mão | Vem desligada, como repetida |
A coluna da direita é o que mais poupa trabalho e o que mais evita erros. Uma conta fixa importada como despesa ficava no mês duas vezes; o salário somado ao rendimento já declarado inflacionava o mês. A explicação disto está em contas fixas: porque só contam como gastas quando são pagas.
Se a proposta estiver errada, tocas na linha e mudas. E as linhas que a app não consegue decidir sozinha aparecem à parte, como "a precisar de ti".
E se importar o extrato bancário duas vezes?
Nada se duplica.
Os movimentos que já vieram num extrato anterior são reconhecidos e chegam desligados, com a razão: "já tinha sido importado num extrato anterior". O mesmo para os que lançaste à mão com a mesma data e o mesmo valor. Podes importar o extrato de Março e depois um de Março e Abril juntos, e só o que é novo entra.
É a regra que impede o erro mais comum das contas partilhadas: a mesma despesa contada duas vezes, uma porque alguém a escreveu, outra porque veio do banco. O resto dessa história está em como dividir as despesas do casal.
A importação aprende com o que corriges no extrato?
Sim, e mostra-te o que aprendeu.
Cada linha que corriges fica guardada como uma regra, para não teres de a corrigir no extrato seguinte. Se disseste que aquela transferência mensal é o reforço do fundo de emergência, da próxima vez chega já assim, com a razão "reconhecida por uma regra que ensinaste".
As regras vivem nas definições, em Regras do extrato, uma por linha, e cada uma diz o que faz. Apagar uma regra não mexe em nada do que já importaste: só faz com que esse movimento volte a ser decidido de raiz no próximo extrato.

E se o meu banco não estiver na lista para importar o extrato?
Há a folha de cálculo, e há a mão.
Para bancos que a Mayora ainda não lê, existe a importação por folha de cálculo: descarregas o modelo, preenches uma linha por movimento com data, descrição e valor, e voltas a carregá-lo. É mais confortável no computador do que no telemóvel, e muitos homebankings deixam exportar os movimentos num formato que se copia para o modelo sem esforço.
O ficheiro tem de ser o modelo, em .xlsx. Se vier de outro programa, a app
diz-te como o exportar no formato certo em vez de falhar em silêncio.
E há sempre a maneira manual, que é a que dá mais consciência do que se gasta, por isso mesmo. Ler o extrato com atenção uma vez, à mão, ensina coisas que nenhuma importação ensina, e o método está em como ler o extrato bancário.
Por onde começar a importar o extrato bancário, hoje
Três passos, e o primeiro é no homebanking.
- Descarrega o extrato da conta à ordem do último mês, em PDF. O que o banco gera, não uma digitalização.
- Em Importar movimentos, escolhe o banco e o ficheiro. Espera pela verificação do saldo. Se as contas não baterem, não importes; diz-nos qual foi o banco e o mês, através dos pedidos de ajuda na app.
- Revê as propostas antes de confirmar. Sobretudo as contas fixas, o salário e o que está "a precisar de ti". O que corrigires hoje já vem certo no próximo mês.
Temos uma página de perguntas frequentes sobre orçamento e dinheiro do dia a dia, com uma resposta curta a cada uma e o artigo completo a um clique. Se a quiseres ver, está aqui: perguntas frequentes.
Este texto é educativo. Não é aconselhamento financeiro nem recomendação de investimento; para conselho sobre produtos, fala com um profissional registado na CMVM.
