Há três momentos na vida de uma conta fixa, e cada folha de cálculo escolhe um diferente para a dar como gasta. Uns contam-na no dia em que a escrevem, porque é quando a vêem. Outros contam-na no dia em que vence, porque é a data que está na factura. Quase nenhum a conta no dia em que o dinheiro sai da conta, que é o único em que ela foi, de facto, gasta.
Parece um pormenor de contabilidade. Não é. A escolha do momento decide se o número que vês a meio do mês serve para tomar uma decisão ou só para te tranquilizar, e decide também se a mesma conta aparece no mês uma vez, duas vezes, ou nenhuma.
A Mayora escolheu o terceiro momento, e este texto explica porquê, e o que isso muda no que vês no ecrã.
O que são contas fixas, para este efeito?
As que têm data e valor conhecidos antes de chegarem.
A renda ou a prestação da casa, a internet, o ginásio, o seguro mensal, a mensalidade da escola. Também entram as que têm data certa e valor que muda um pouco, como a luz e a água: sabes que vêm, sabes quando, só não sabes o cêntimo.
O que as distingue não é o valor ser sempre igual, é já estarem decididas. Não há uma escolha a fazer este mês sobre pagar a renda. A diferença entre isto e o resto do orçamento está contada em despesas fixas e variáveis, e é a base de tudo o que vem a seguir.
Porque é que as contas fixas não contam como gastas no dia em que as escreves?
Porque nesse dia o dinheiro ainda está todo na conta.
Se escreves a renda no dia 1 e ela passa logo a gasta, o orçamento mostra-te um mês em que já gastaste setecentos euros que ainda lá estão. Durante quatro semanas, todos os números ficam a dizer que tens menos do que tens. Isso parece prudente, e na prática faz o contrário: ninguém confia num número que sabe estar errado, e quem deixa de confiar deixa de consultar.
E há um problema pior, que aparece no fim do mês. A renda sai do banco, a pessoa vê o movimento e lança-o como despesa, porque é uma despesa e acabou de acontecer. A mesma conta fica no mês duas vezes: uma do dia 1, outra do dia em que saiu. É o erro mais comum de quem começa um orçamento, e é invisível até alguém somar e o mês não bater certo com o banco.
E porque não no dia em que a conta fixa vence?
Porque a data de vencimento é uma promessa, não um pagamento.
Um débito directo pode sair um dia antes ou dois dias depois. Uma factura pode ser paga mais cedo, ou atrasada uma semana porque o ordenado chegou tarde. Se o orçamento dá a conta como gasta no dia 28 só porque o calendário diz 28, e ela ainda não saiu, o número volta a não bater com o banco, desta vez no sentido contrário.
E há casos em que a data não diz nada: a conta que se paga quando a factura chega, a que vem trimestral num mês e não no seguinte. Uma regra que depende da data marcada falha precisamente nas contas que mais surpreendem.
Então quando é que uma conta fixa passa a gasta?
Quando sai da conta. Até lá está reservada.
São dois estados, não um, e cada um faz uma coisa diferente ao número que vês:
| Estado | O que é | O que faz ao disponível |
|---|---|---|
| Reservada | Tem data e valor, ainda não saiu | Já não está disponível para gastar |
| Paga | Saiu da conta | Passa a gasta, e deixa de estar reservada |
A conta não desaparece em nenhum momento nem é contada duas vezes. Muda de estado. Enquanto está reservada, o disponível já a desconta, porque esse dinheiro tem dono; quando é paga, passa de reservada a gasta, e o disponível fica exactamente igual. O que mudou foi a razão por que aquele dinheiro não é teu para decidires.
É a mesma distinção entre "já gastei" e "só me comprometi" que está em como fazer um orçamento que sobrevive ao segundo mês, aplicada uma conta de cada vez.

Como se marca uma conta fixa como paga na Mayora?
De uma de duas maneiras, e a segunda é para quem não quer pensar nisso.
À mão. Em Despesas, no separador das contas fixas, cada conta tem o dia em que vence. No dia em que a pagas, marcas como paga. Se o valor muda de mês para mês, como na luz, é nesse momento que escreves o valor real. O mês actualiza-se sozinho: a conta sai de reservada e entra nos gastos.
Pagamento automático. Se a conta sai sozinha da tua conta por débito directo ou transferência agendada, ligas o pagamento automático e a app deixa de te pedir para a confirmar todos os meses. Passa a contar como paga no mês em que vence, sem toque nenhum. Ligá-lo a meio do ano não mexe nos meses anteriores; aplica-se daí para a frente.
Em nenhum dos dois casos se lança a conta outra vez como despesa. É a regra que o próprio Resumo lembra, e é a que evita a conta em dobro: a conta fixa já está no mês, só muda de estado.
Se tiveres a conta à ordem num banco que a Mayora sabe ler, há uma terceira via: importar o extrato. Os pagamentos das contas fixas que a app reconhece chegam já agrupados como "contas a marcar como pagas", e não como despesas novas.
O que mostra o Resumo enquanto as contas fixas não estão pagas?
Duas linhas que respondem a perguntas diferentes.
Em cima está o disponível agora: o que entrou, menos o que já saiu, menos o que está reservado para contas com data. É o número com que decides se podes jantar fora no sábado.
Mais abaixo, a parte das contas fixas diz quanto está comprometido e quanto falta pagar este mês. "De 900 comprometidos, falta 250" quer dizer que três quartos das contas do mês já saíram e há duzentos e cinquenta euros ainda reservados. Quando falta zero, aparece "tudo pago", e a partir daí o que resta no mês é teu para decidir sem mais nenhuma surpresa marcada.
As duas linhas nunca se contradizem, porque vêm do mesmo cálculo: uma conta reservada está no "falta pagar" e fora do disponível; uma conta paga está nos gastos e também fora do disponível. Muda o sítio, não o total.
E se me esquecer de marcar uma conta fixa como paga?
O disponível fica certo; só a lista fica atrasada.
Esta é a vantagem menos óbvia de reservar em vez de esperar: uma conta que já saiu do banco mas que ainda não marcaste continua fora do disponível, porque estava reservada. O número com que decides não fica inflacionado por esqueceres um toque. O que fica errado é a separação entre o que já foi e o que falta, e isso corrige-se quando te lembrares.
O esquecimento perigoso é o contrário: lançar a conta como despesa e não a marcar como paga. Aí o mês conta-a duas vezes, uma como despesa e outra como reservada, e o disponível fica mais baixo do que devia. Se o Resumo te mostra menos do que o banco, é aqui que se procura primeiro.
Para não depender da memória, cada conta pode avisar-te antes de vencer, à hora que escolheres, com uma notificação no telemóvel.

Numa casa partilhada, quem marca as contas fixas como pagas?
Quem as paga, e os outros vêem no mesmo instante.
Num orçamento partilhado, o estado de cada conta é o mesmo para toda a gente. Se um marca a renda como paga, a renda passa a paga no telemóvel do outro, e o "falta pagar" desce para os dois. Isto resolve sozinho a pergunta que mais se repete numa casa a dois, que é "já pagaste a luz?", e resolve-a sem ninguém ter de perguntar.
Também evita o duplicado clássico das contas partilhadas: um paga a conta e lança-a, o outro vê o movimento no banco e lança-a também. Com a conta fixa a mudar de estado em vez de ser lançada, há uma linha só, e quem a pagou fica registado nela. A regra de quem paga o quê é uma conversa à parte, e está em como dividir as despesas do casal.
Por onde começar com as contas fixas, hoje
Três passos, e cabem em cinco minutos.
- Escreve as tuas contas fixas com o dia em que vencem. Todas as que têm data, mesmo as de valor variável. Para essas, escreve um valor provável; o real entra quando pagares.
- Liga o pagamento automático nas que são débito directo. São as que não precisam de ti, e deixam de pedir confirmação.
- Para as outras, marca como paga no dia em que pagares, e não as lances como despesa. É a única regra a decorar, e é a que mantém o mês certo.
Se ainda não montaste o orçamento, o passo a passo completo está em começar na Mayora em 10 minutos, e as contas fixas são os minutos três a seis.
Temos uma página de perguntas frequentes sobre orçamento e dinheiro do dia a dia, com uma resposta curta a cada uma e o artigo completo a um clique. Se a quiseres ver, está aqui: perguntas frequentes.
Este texto é educativo. Não é aconselhamento financeiro nem recomendação de investimento; para conselho sobre produtos, fala com um profissional registado na CMVM.
