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App de orçamento familiar: começar na Mayora em 10 minutos

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Dez minutos chegam, e o que os torna suficientes é a ordem. Primeiro o que entra, depois as contas que já têm data e valor, depois cinco categorias com um limite cada. Ao fim disso o Resumo já responde à única pergunta que interessa no dia a dia, que é quanto podes gastar hoje sem estragar o mês.

A parte difícil de começar um orçamento não é a aplicação, é a ideia de que vai demorar uma tarde. Quase toda a gente adia por causa disso, e quase toda a gente está errada: o que dá trabalho a sério é manter um orçamento cheio de categorias que ninguém pediu. Montar um que já responde a alguma coisa leva dez minutos.

Dez minutos chegam porque a ordem faz o trabalho. Primeiro o que entra, depois o que já tem data e valor marcados, depois cinco categorias com um limite cada. A partir daí a app já sabe o suficiente para dizer o que interessa saber todos os dias, que não é quanto gastaste, é quanto ainda podes gastar.

O que se segue é essa sequência, pela ordem em que funciona.

O que é preciso ter à mão antes de começar o orçamento familiar?

Três coisas, e todas cabem num telemóvel.

Precisas de saber quanto entra por mês, de ter à mão as contas que pagas sempre, renda ou prestação, luz, água, internet, seguros, e de ter uma ideia de quanto costumas gastar em supermercado. Não precisa de ser exacto. Um número aproximado hoje vale mais do que um número perfeito daqui a três semanas, porque o aproximado corrige-se sozinho ao fim do primeiro mês e o perfeito nunca chega.

O que não precisas é do extracto do banco, de recibos antigos, nem de decidir nada sobre poupança. Nada disso entra nos primeiros dez minutos.

Dez minutos com o telemóvel à mesa. O caderno pode ficar fechado, porque o que é preciso é um número aproximado e não um levantamento.
Dez minutos com o telemóvel à mesa. O caderno pode ficar fechado, porque o que é preciso é um número aproximado e não um levantamento.

Minuto 1 a 3: o que entra no orçamento familiar

Abre Entradas e escreve o teu rendimento do mês.

Se recebes sempre o mesmo, é uma linha e está feito. Se recebes de sítios diferentes, escreve cada um em separado em vez de somar de cabeça: daqui a dois meses vais querer saber qual deles variou, e um total não te diz isso.

Se o rendimento varia todos os meses, recibos verdes, comissões, gorjetas, usa o valor mais baixo dos últimos meses e não a média. Um orçamento construído sobre a média fica errado em metade dos meses, e fica errado precisamente nos meses maus, que são aqueles em que estar certo interessa.

Minuto 3 a 6: as contas do orçamento familiar que já têm data

Em Despesas, escreve as contas fixas com o dia em que saem.

Esta é a parte que muda mais o resultado, e é a que as folhas de cálculo fazem pior. Uma conta que sai no dia 28 não é dinheiro disponível no dia 5, mesmo estando na conta o mês inteiro. Ao dares-lhe uma data, a app deixa de a contar como disponível, e o número que te mostra passa a ser um número com que podes decidir.

Há um detalhe que vale a pena perceber já, porque é onde as contas costumam ficar erradas a dobrar: uma conta fixa só conta como gasta depois de ser paga. Marca-a como paga, ou liga o pagamento automático se é débito directo, e não voltes a lançá-la como despesa. Se a lançares outra vez, o mês fica com essa despesa duas vezes, e depois ninguém percebe porquê.

Minuto 6 a 9: cinco categorias de orçamento familiar, não vinte

Em Mais, abre Categorias e escolhe cinco. Dá um limite mensal a cada uma.

Cinco é um número pensado, não um atalho. Com vinte categorias, cada compra passa a precisar de uma decisão, algumas cabem em duas, e a classificação acaba por ser feita ao calhas. Um orçamento com vinte categorias mal preenchidas diz menos do que um com cinco bem preenchidas.

As cinco que quase sempre valem a pena são supermercado, transportes, casa, saúde e uma para tudo o resto. Os limites não têm de estar certos hoje. O que eles fazem no primeiro mês é dar-te uma referência para perceber onde estavas errado, e é para isso que servem.

Cada categoria mostra o limite do mês e o que já lá foi gasto. É a comparação entre os dois que diz alguma coisa, não o total.Cada categoria mostra o limite do mês e o que já lá foi gasto. É a comparação entre os dois que diz alguma coisa, não o total.
Cada categoria mostra o limite do mês e o que já lá foi gasto. É a comparação entre os dois que diz alguma coisa, não o total.

Minuto 9 a 10: o número da app de orçamento que passas a consultar

Volta ao Resumo. Está lá tudo o que os nove minutos anteriores construíram.

O Resumo responde primeiro a disponível agora, que é o que entrou menos o que já saiu menos o que está prometido a contas com data. É o número com que se toma uma decisão a meio do mês, e é diferente do saldo do banco quase sempre.

Debaixo disso mostra quanto sobra por dia até ao fim do mês, quantos dias faltam, e como é que o mês se reparte entre contas fixas, despesa variável e poupança. Se preferes olhar para uma coisa só, olha para o disponível. O resto é o porquê.

O Resumo com o disponível em cima e a repartição do mês por baixo. O disponível já desconta as contas que ainda não saíram.O Resumo com o disponível em cima e a repartição do mês por baixo. O disponível já desconta as contas que ainda não saíram.
O Resumo com o disponível em cima e a repartição do mês por baixo. O disponível já desconta as contas que ainda não saíram.

E se o orçamento familiar for partilhado pelo casal?

O orçamento é o da casa, e as duas pessoas vêem exactamente a mesma coisa.

É para isto que a Mayora existe, por isso vale a pena dizer com clareza o que significa: não há a versão dele e a versão dela. Uma despesa lançada por um aparece ao outro, com o mesmo valor, na mesma categoria, no mesmo instante. Duas pessoas a olhar para a mesma lista não podem chegar a dois números diferentes, e isso resolve sozinho a discussão mais comum das contas partilhadas, que é alguém ter contado a mesma compra duas vezes.

A regra de divisão, a meias ou em proporção ao que cada um ganha, é uma conversa à parte e está contada em dividir as despesas da casa.

O que não fazer nos primeiros dez minutos de orçamento familiar

Quatro coisas, e todas são a mesma coisa: adiar por excesso de rigor.

  • Não vás buscar os últimos seis meses de extractos. Isso é um trabalho de uma hora que produz um orçamento igual ao que produzes de cabeça em três minutos. Faz-se depois, se fizer falta.
  • Não crias uma categoria por causa de uma despesa que aconteceu uma vez. As categorias devem nascer de uma pergunta que tenhas, não de uma vontade de arrumar.
  • Não tentes acertar os limites à primeira. Vais errar, e é bom: é assim que descobres quanto gastas de verdade.
  • Não montes as metas de poupança hoje. Uma meta antes de saber quanto sobra é um desejo, não um plano.

Por onde começar o orçamento familiar, hoje

Três passos e o relógio.

  1. Escreve o que entra. Um valor por origem, e o mais baixo se o rendimento varia.
  2. Escreve as contas com data. É o que separa o saldo do disponível, e é a maior parte do ganho.
  3. Cinco categorias com um limite cada. Erradas está bem. Vinte não.

Ao fim do primeiro mês tens uma coisa que não tinhas hoje: números teus em vez de estimativas. É aí que se ajustam os limites, e é aí que isto começa a valer a pena de verdade. O primeiro mês corre quase sempre bem; o que torna um orçamento útil é sobreviver ao segundo, e sobre isso escrevemos aqui, com as três gavetas que costumam faltar.

Temos uma página de perguntas frequentes sobre orçamento e dinheiro do dia a dia, com uma resposta curta a cada uma e o artigo completo a um clique. Se a quiseres ver, está aqui: perguntas frequentes.

Este texto é educativo. Não é aconselhamento financeiro nem recomendação de investimento; para conselho sobre produtos, fala com um profissional registado na CMVM.

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